Como se preparar para a avaliação neuropsicológica: primeiro, respire
A data da primeira sessão está marcada e, de repente, surgem as dúvidas. "Preciso estudar?", "e se eu for mal?", "e se a internet cair?".
É natural sentir um friozinho na barriga. Mas a avaliação neuropsicológica não é uma prova. Não existe nota para passar nem resposta "certa" que você precise decorar. O objetivo é conhecer o seu funcionamento real, com pontos fortes e dificuldades.
Por isso, a melhor preparação é chegar como você é, em boas condições. Veja abaixo o que ajuda.
Antes de começar: não precisa estudar
Treinar ou pesquisar sobre os instrumentos não ajuda. Pelo contrário: pode atrapalhar a leitura dos resultados, que precisam mostrar como você funciona no dia a dia.
Também não é necessário "dar o seu melhor" de forma forçada. Faça as atividades com atenção e tranquilidade, do jeito que você faria normalmente. Se não souber algo, tudo bem. Isso também é informação útil.
Algumas pessoas sentem vontade de "compensar" as dificuldades, como acontece no dia a dia. Quem tem TDAH, por exemplo, pode se esforçar muito para não se distrair, e quem é uma pessoa no espectro pode tentar parecer à vontade socialmente. É compreensível, mas na avaliação você não precisa se esconder. Ser você mesma(o) é o que torna o resultado útil.
Sono, alimentação e medicação
Durma bem na noite anterior
O sono influencia diretamente a atenção e a memória. Uma noite mal dormida pode deixar você mais lenta(o) ou distraída(o). Se algo atrapalhar o seu sono antes de uma sessão, conte para a profissional.
Esteja alimentada(o) e hidratada(o)
Faça uma refeição leve antes e deixe um copo de água por perto. Fome e sede tiram a concentração.
Mantenha a medicação como prescrita
Não suspenda nem mude remédios por conta própria por causa da avaliação. Continue como o seu médico orientou e informe na primeira consulta todos os medicamentos que você usa, inclusive horários. Se houver alguma orientação específica, ela será combinada com você e, quando necessário, com o médico.
O ambiente e o equipamento para a sessão online
Na avaliação online, o seu espaço vira o consultório. Alguns cuidados fazem diferença:
- Computador ou notebook com câmera e microfone. O celular costuma não ser o ideal para as sessões de avaliação.
- Internet estável. Se puder, fique perto do roteador ou use cabo.
- Ambiente silencioso e com privacidade durante toda a sessão, sem outras pessoas no cômodo, a não ser que isso tenha sido combinado.
- Boa iluminação, de preferência com a luz vindo da frente, e não de trás.
- Notificações desligadas no computador e no celular.
- Óculos ou aparelho auditivo, se você usa no dia a dia. Eles são essenciais para que a avaliação reflita o seu funcionamento real.
- Equipamento carregado ou ligado na tomada, e alguns minutos de antecedência para testar o áudio e o vídeo.
Uma revisão sistemática de Brearly e colaboradores (2017), publicada na revista Neuropsychology Review, analisou 12 estudos sobre testes neuropsicológicos aplicados por videoconferência. Tarefas verbais tiveram desempenho semelhante ao presencial, e os autores reforçam a importância de cuidados e boas práticas. É por isso que esses detalhes de ambiente importam.
Se você tem sensibilidade sensorial, aproveite a vantagem de estar em casa: ajuste a luz, a temperatura e use roupas confortáveis. Leia mais sobre sensibilidade sensorial em adultos.
Documentos e informações que ajudam
Na primeira consulta, a anamnese reúne a sua história de vida, o desenvolvimento e as principais queixas. Alguns materiais podem enriquecer essa etapa:
- encaminhamento médico, se houver;
- laudos, relatórios ou avaliações anteriores;
- exames recentes, como os pedidos por neurologista, psiquiatra ou geriatra;
- lista de medicamentos em uso;
- boletins ou registros escolares antigos, se você tiver, principalmente quando a dúvida envolve TEA ou TDAH;
- anotações sobre o que você tem percebido e desde quando.
Não tem nada disso? Tudo bem. Muitas pessoas procuram a avaliação por conta própria, sem documentos anteriores. Em alguns casos, também pode ser útil ouvir um familiar sobre a sua infância, sempre com o seu consentimento.
Uma pequena reflexão antes da primeira consulta
Vale pensar com calma em algumas perguntas e, se quiser, anotar as respostas:
- O que me trouxe até aqui? Qual é a minha principal dúvida?
- Desde quando percebo essas dificuldades?
- Em que situações elas aparecem mais: trabalho, estudos, relacionamentos, casa?
- O que eu espero entender ao final da avaliação?
Essas anotações não são obrigatórias, mas ajudam a não esquecer pontos importantes na hora da conversa, especialmente se você fica ansiosa(o) em situações novas.
Se você mora fora do Brasil
Confira o fuso horário na hora de agendar e deixe um lembrete no celular. Se você pretende usar o laudo no país onde mora, converse sobre isso na primeira consulta, porque a forma de uso depende das regras locais. Veja mais em psicóloga brasileira online para quem vive no exterior.
No dia da sessão e depois
Entre alguns minutos antes, com o equipamento pronto. Se estiver cansada(o), ansiosa(o) ou sem dormir bem, diga. Isso não "estraga" nada: ajuda a profissional a interpretar o que acontece na sessão.
Ao longo do processo, que geralmente tem de 6 a 10 sessões de cerca de 50 minutos, você pode tirar dúvidas. No final, os resultados são reunidos no laudo neuropsicológico e explicados na sessão devolutiva.
A Monica Sarah Salomon é psicóloga pós-graduada em Neuropsicologia e atende adultos e idosos 100% online, em português, no Brasil ou em qualquer país. Para conhecer as etapas, veja as informações sobre o agendamento.
