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Dicas práticas

Como contar sobre o diagnóstico de autismo ou TDAH para a família e no trabalho

Contar, para quem e quando é uma decisão sua. Estas ideias ajudam a fazer essa escolha com mais tranquilidade.

Como contar sobre o diagnóstico: a decisão é sua

Você saiu da devolutiva com um diagnóstico de autismo ou de TDAH. Muita coisa passa a fazer sentido. E logo vem a pergunta: conto para a minha família? Para o meu parceiro? Para o meu chefe?

Saber como contar sobre o diagnóstico começa por uma ideia simples: a decisão é sua. Você não tem obrigação de contar para ninguém, nem prazo para isso. Também pode contar para algumas pessoas e não para outras.

Este texto traz perguntas para ajudar na decisão, prós e contras e roteiros simples. Não existe forma de garantir como cada pessoa vai reagir, mas dá para se preparar melhor.

Contar ou não contar? Perguntas que ajudam a decidir

  • O que eu espero ao contar? Ser compreendido, pedir um ajuste, parar de esconder, aproximar uma relação?
  • Essa pessoa costuma ser acolhedora com assuntos pessoais?
  • Estou pronto para responder perguntas, ou prefiro esperar entender melhor o diagnóstico?
  • O que muda se eu não contar? Às vezes, nada. Às vezes, você segue se esforçando muito para esconder.

Possíveis vantagens de contar

  • ser compreendido em comportamentos antes mal interpretados;
  • pedir ajustes que tornam a rotina mais leve;
  • reduzir o cansaço de mascarar ou de se justificar o tempo todo;
  • aproximar relações importantes.

Possíveis desvantagens

  • ouvir comentários desinformados ou de descrença;
  • o assunto ser repassado para outras pessoas sem a sua autorização;
  • no trabalho, preocupação com preconceito ou mudança de tratamento.

Como contar para a família e para o parceiro

Escolha um momento tranquilo, sem pressa e sem plateia. Se for mais fácil, comece pela pessoa que você sente que vai acolher melhor.

Roteiro simples (exemplo ilustrativo)

"Quero contar uma coisa importante para mim. Fiz uma avaliação e recebi o diagnóstico de [autismo / TDAH]. Isso me ajudou a entender várias coisas da minha vida. Não é algo que mudou agora; eu sempre fui assim, só agora tenho um nome para isso. O que me ajudaria é [exemplo: avisar com antecedência quando os planos mudarem]."

Algumas reações são comuns: surpresa, perguntas, "mas você não parece", ou até culpa de familiares. Você pode responder só o que quiser. Vale sugerir um texto confiável, como autismo em adultos ou TDAH em adultos, para quem quiser entender mais.

Você não precisa convencer ninguémAlgumas pessoas precisam de tempo para entender. Outras talvez nunca entendam completamente. A sua experiência e o resultado de uma avaliação cuidadosa não dependem da aprovação de ninguém.

Como contar no trabalho

No trabalho, muitas pessoas preferem contar apenas o que é necessário. Você pode falar do diagnóstico ou só das suas necessidades, sem dar o nome da condição.

Roteiro focado no que ajuda (exemplo ilustrativo)

"Eu rendo melhor quando as tarefas chegam por escrito e com prazo claro. Também me ajuda trabalhar num lugar com menos barulho. Podemos combinar isso?"

Roteiro com o diagnóstico (exemplo ilustrativo)

"Recebi recentemente o diagnóstico de [autismo / TDAH]. Não muda a minha vontade de fazer um bom trabalho. Algumas adaptações simples me ajudariam a render mais, como [exemplo]."

  • pense antes em quem é a melhor pessoa para ouvir: liderança, RH ou um colega de confiança;
  • leve propostas concretas, não só o diagnóstico;
  • direitos e adaptações dependem da legislação e das regras de cada lugar; se precisar, busque orientação especializada.

Para mais ideias, veja TDAH no trabalho e autismo nos relacionamentos e no trabalho.

E se a conversa não sair como esperado?

Às vezes a reação é diferente do que você imaginou. Respire, encerre a conversa se precisar e retome outro dia. Não é falha sua.

Também é possível mudar de ideia. Você pode contar mais detalhes depois, ou decidir que prefere não voltar ao assunto com determinada pessoa. Algumas pessoas acham útil escrever uma carta ou mensagem, em vez de conversar ao vivo. Isso dá tempo para escolher as palavras e permite que o outro leia com calma antes de responder.

A psicoterapia pode ajudar a organizar o que o diagnóstico significa para você, a ensaiar conversas difíceis e a lidar com as reações. Veja também o que fazer depois do diagnóstico de autismo.

A Monica Sarah Salomon é psicóloga (CRP 12/13557), pós-graduada em TEA e em Neuropsicologia, com formação em TCC. Ela atende adultos e idosos 100% online, em português, no Brasil e no exterior. Se fez sentido, veja como agendar.

Perguntas frequentes

Sou obrigado a contar meu diagnóstico no trabalho?
A decisão de contar é pessoal. Regras sobre direitos e adaptações dependem da legislação e de cada lugar, então, se tiver dúvidas, vale buscar orientação especializada.
Como contar para a família que sou autista?
Escolha um momento tranquilo, comece por quem tende a acolher melhor, explique o que o diagnóstico significa para você e diga o que ajudaria. Você pode responder só as perguntas que quiser.
Preciso dizer o nome do diagnóstico para pedir adaptações?
Nem sempre. Muitas pessoas preferem falar apenas das necessidades, como instruções por escrito ou ambiente mais silencioso. Algumas situações, porém, podem exigir documentos.
Monica Sarah Salomon

Monica Sarah Salomon

Psicóloga (CRP 12/13557) desde 2015, pós-graduada em Neuropsicologia e em Transtorno do Espectro Autista, com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental. Realiza avaliação neuropsicológica e psicoterapia para adultos, 100% online.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação profissional. Reconhecer-se em algum ponto do texto não significa ter um diagnóstico.

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